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Descrição:
Typographia de José Baptista Morando, Lisboa, 1848 (1849 e 1853 respectivamente). In-8º de 3 volumes com XVIII-(1)-462-(2), III-485-(3) e (6)-500-(1) respectivamente. Ilustrado com litografia original representando o retrato do autor segurando pena de escrita e livros, assim como reprodução facsimilada da sua assinatura, realizado nas oficinas calcográficas dos Mártyres em Lisboa, por António Joaquim de Santa Bárbara. Exemplares tal como saíram, em brochura. Primeiro volume com liguira falta de papel na lombada. Capas com ocasionais picos de acidez.
PRIMEIRA EDIÇÃO, póstuma de toda a sua grandiosa obra (o autor tinha falecido 4 anos antes). Foram publicados apenas três volumes das Obras Completas deste historiador, embora o plano de edição constasse de dez volumes, permanecendo inédita até hoje a restante parte da sua obra.
Francisco Alexandre Lobo (1763, Beja — 1844, Lisboa), bispo de Viseu, foi um clérigo e político português, historiador e homem de letras erudito, que, entre outras funções, exerceu o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, então equivalente a Primeiro-Ministro de Portugal, no executivo pró-miguelista que governou entre 1826 e 1827. Conservador, considerado um apostólico moderado, era próximo de D. Miguel I, por quem foi escolhido para conselheiro de Estado e encarregado de fazer a reforma geral dos estudos. Após a vitória liberal teve de exilar-se abandonando Portugal em 1834. Foi um escritor brilhante e erudito, revelou-se um historiador de mérito, sendo admitido como sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
António Joaquim de Santa Bárbara (1838-1864) foi um gravador português, autor de alguns dos melhores retratos litografados de políticos, membros da alta sociedade e artistas do século XIX em Portugal. Santa Bárbara foi um artista com uma enorme capacidade de desenho, sendo que algumas das suas gravuras, particularmente as que executou a partir de daguerreotipos, são de um realismo espantoso em que, alguns dos retratos que litografou foram partir de daguerreotipos.
Descrição:
sub-título: Predicados en Roma a la Reyna de Suecia, CHRISTINA ALEXANDRA, en lengua italiana, por el Reverendissimo Padre ANTONIO VIERA, de la Compañia de Jesu, natural de Lisboa, Predicador de la Magestad del-Rey D. PEdro II nuestro señor, y traducidos en lengua Castellana por el mismo Author.
En la Officina de Miguels Deslandes, Lisboa, 1695. In-4º de (16)-125-(40) Encadernação moderna (2ª metade séc. XX), inteira de pele com lombada em cinco casas fechadas e rótulo de pele vermelha com dizeres dourados. O aparo marginal é antigo, preservando ainda assim largas margens. Ex-libris moderno no verso da pasta anterior. Muito pequena galeria de xilógago junto à charneira, restaurada e resolvida.
Edição primitiva, de esmerada execução tipográfica, com cabeções e vinhetas tipográficas de bela execução técnica, bonitas e distintas letras capitulares, OMISSA EM IMPRESSÕES DESLANDIANAS de Xavier da Cunha.
O contexto histórico que permitiu o encontro do padre António Vieira com a rainha Cristina I da Suécia, desde 1654, com a rainha viver em Roma depois de ter abdicado do trono sueco e de se converter ao catolicismo. O seu palácio era um pólo de atracção de artistas, intelectuais e religiosos. Tal como acontecera em Estocolmo, a rainha, dotada de grande inteligência e cultura, mas com uma personalidade misteriosa e controversa, continua em Roma a rodear-se das figuras mais célebres da Europa, uma das quais fora Descartes falecido, em 1650, durante a sua estada na corte nórdica. Com António Vieira a viver em Roma desde 1669, a sua fama de pregador acaba por chegar aos ouvidos da rainha, que o convida para pregar no seu palácio. Ficou célebre o confronto de oratória entre o padre António Vieira e o Padre Jerónimo Catâneo, que decorreu no ano de 1664, no palácio da rainha e, no qual, a Catâneo foi proposto defender o riso de Demócrito perante os males do mundo e a Vieira defender o pranto e as lágrimas de Heraclito perante os mesmos males. Só em 1675, após o Breve do Papa Clemente X em que louva António Vieira e o isenta da Inquisição é que este poderá regressar finalmente a Lisboa. A rainha Cristina chegará ainda a convidá-lo, em 1679, para ser seu confessor, mas António Vieira recusa de novo esta proposta. Nesta época, António Vieira prega em italiano, a rainha escuta alguns dos seus sermões – de que este é um dos exemplos – e chega mesmo a convidá-lo para seu pregador. António Vieira recusa o convite porque diz ser o pregador do seu rei D. Pedro II e ainda não ter terminado aquilo que o trouxera a Roma – a revisão do seu processo na Inquisição.
Obra ímpar da nossa prosa barroca, nos quais se aliam a grande capacidade de análise racional, de bom senso e clarividência a um misticismo profético.
Avila Perez, 7994
Azevedo Samodães, II, 3512
Catálogo Rasonado de Garcia Perez, p. 570
Descrição:
súb-título: traduzido na lingoa portugueza por ordem de Sua Magestade: obra muyto util, & necessaria naõ só para os Governadores das Praças; mas tambem para todos os Officiaes de Guerra, que quizerem aprender a doutrina militar, & as suas obrigações principalmente nos presidios.
Na Officina de Antonio Pedrozo Galram, Lisboa, 1708. In-8º de (8)-519 págs. Encadernação coeva inteira de carneira. Apresenta um portada alegórica e 8 gravuras gravadas a talha-doce, de formato maior, desdobráveis.
Algumas manchas de humidade circunscritas ao primeiro e último caderno. Primeiras três folhas com restauro antigo marginal. 5ª gravura desdobrável com ligeira perca de informação pelo antigo e descuidado aparo de guilhotina. Apesar dos defeitos apresentados e e resto, muito bom exemplar, mantendo o papel a sonoridade original.
Importante tratado de arquitectura militar e fortificação do Iluminismo Português, traduzido pelo Engenheiro-mor do Reino Manuel Azevedo Fortes (1660-1749), em colaboração com o brigadeiro, cronista e guarda-mor da Torre do Tombo Manuel da Maia (1677-1768), a partir da obra original de 1639 de Antoine de Ville (1596-1656) por encomenda real de D. João V.
Considerado pela modernidade da obra, um manual de sobrevivência política e logística militar, publicado num período em que Portugal se encontrava em contexto de guerra – Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) contra Espanha e França. Até então, a nomeação dos governadores de praças-fortes era exclusiva aos nobres pelo estatuto de sangue que, na maioria das vezes, não tinham qualquer formação técnica. Com a publicação deste manual, assistiu-se a uma profissionalização do exército pela criação de uma doutrina militar unificada e moderna, com a transformação de aristocratas em administradores de guerra eficientes. A logística de guerra (armazenamento de mantimentos, gestão de paióis de pólvora, racionamento de água) para garantir resistência a cercos prolongados, a liderança militar e disciplina militar assim como as tácticas de defesa e ataque, passaram a ter, com a publicação desta obra, uma enorme importância estratégica no reino assim como na defesa do Império Ultramarino, servindo de guião para governadores de praças-fortes cruciais no Brasil (fortalezas de Salvador e Rio de Janeiro), África (Mazagao e Moçambique) e Índia (Goa, Damão e Diu).
De muito raro aparecimento no mercado.
Inocêncio VI, p.45
Descrição:
Mil Dias Editora, (Lisboa), 1978. In-8º de 160 págs. inumeradas. Brochado, em excelente estado de conservação.
O gráfico e belíssimo livro, idealizado e editado por Sérgio Guimarães, reúne um vasto número de desenhos infantis, realizados num olhar puramente visual e inocente por crianças em idade escolar do ensino primário, sobre a transição democrática em Portugal, em torno do 25 de abril e o Movimento das Forças Armadas, passando ainda pela reforma agrária e as (primeiras) eleições livres de 76.
Descrição:
Mil Dias, Editora, (Lisboa), 1978. In-8º de 160 págs inumeradas, brochado. Exemplar irrepreensível para não o classificar de pristine.
Magnífica concessão gráfica e disposição das imagens num abundante repositório fotográfico dos murais pintados, com cores fortes e um discurso narrativo testemunhando coevamente um país - Portugal - que se tornou um enorme poema visual, num periódo em ebulição política logo a seguir ao 25 de Abril. Os murais e graffitis expressam bem as mensagens de crítica social do extenso período de décadas em repressão, de que o país se tinha libertado recentemente. " ... Este livro é apenas e só, uma tentativa, que outros deverão prosseguir, de arquivar alguns dos milhões de graffiti que cobriram Portugal nesses meses revolucionários ...".
Descrição:
sub-título: Um Requiem alegre para cesariny e outro + ou - triste para vasconcelos acompanhados dum anúncio à moda de convite especialmente dirigido às gentes do sexo feminino e masculino.
(Tip. Carvalhido, Porto, 1959). In-8°, 4 págs. Brochado em papel azul cinzento e miolo em papel rosa claro violeta.
Este folheto conheceu uma tiragem muito restrita de apenas 200 exemplares, (informação constante no verso da capa posterior) apesar do colófon indicar uma tiragem de 2.000.000 exemplares em papel especial, com a data da 1ª exposição de Cesariny, no Porto, no ano de 2000.
O texto constitui um jogo de humor e troça em torno do nome completo do Mário Cesariny, com a finalidade de o ridicularizar, inserido num período de contextos polémicos e subversivos de guerrilhas literárias em torno do Café Gelo.
Descrição:
Estúdios Cor, Lisboa, 1962. In-8º de 389-(1) págs. Brochado.
Impecável; não fosse o ligeiro foxing que a brochura apresenta na lombada, este exemplar teria a classificação de pristine.
PRIMEIRA EDIÇÃO, do livro massivamente apreendido poucos dias após o seu lançamento, pelo regime de Marcello Caetano, considerado com "conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública". A obra foi imediatamente proibida e recolhida pela PIDE/DGS das livrarias. A obra é resultado de um trabalho colectivo de escrita por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, e conhecidas como as "Três Marias". Integrada na Coleção «Serpente» , sendo seu número inaugural, a obra teve Natália Correia na direção literária, que insistiu em publicar o texto na íntegra, recusando-se a realizar os cortes sugeridos pela censura.
As autoras e o editor foram alvo de um mediático processo judicial, tendo iniciado o processo das "Três Marias"em outubro de 1973 e ganhou uma enorme projeção internacional, tornando-se na primeira grande causa feminista global, apoiada por figuras como Simone de Beauvoir e Marguerite Duras. O processo acabou por ser extinto e anulado após a Revolução de 25 de Abril de 1974, permitindo que o livro voltasse a circular livremente a partir da sua segunda edição
PEÇA DE COLECÇÃO.
Descrição:
Typ. de j. L. de Sousa, Porto, 1849. In-8º de XII-209 págs. Encadernação coeva, meia inglesa em pele castanha, com ferros sêcos e dizeres dourados, ao alto, junto da cabeça na lombada. Aparo marginal generalizado, sinais de alguim manuseamento, charneiras quebradas, cantos amassados. Miolo relativamente limpo, com ocasionais e insignificantes manchas, próprias da acção do tempo sobre papel fino, mantendo a saúde e sonoridade original. Rúbrica de posse antiga na página de rosto.
Bom exemplar desta PRIMEIRA (e única) EDIÇÃO DESTE RARÍSSIMO LIVRO DE POESIA ULTRA-ROMÂNTICA (e único título publicado) pelo autor responsável pelas revistas literárias Lyra da Mocidade e O Novo Trovador. Colaborador ainda nas revistas literárias Bardo e A Grinalda e também fundador do jornal de propósitos políticos O Clamor Público, Alexandre José da Silva Braga (1829-1895), amigo de Camilo Castelo Branco e Coelho Lousada, notabilizou-se também pela sua oratória em defesa da causa popular, discursos estes que nunca foram impressos.
As única referências bibliofílicas registadas são as das magníficas bibliotecas de 1) Fernando Pessoa (que o admirava) e 2) do bibliófilo Laureano Barros (nº765, vol.I, p. 167), estando, portanto, ausentes das imponentes bibliotecas de literatura portuguesa séc. XIX e XX.
Igualmente AUSENTE NA BIBLIOTECA NACIONAL.
Descrição:
Editorial Século, Lisboa (1955). In-8º de 224-(1) págs. Brochado. Rúbrica de posse a tinta no rosto.
PRIMEIRA EDIÇÃO (e cremos única).
Carmen de Figueiredo, pseudónimo literário de Carmelinda Niolet Moura de Figueiredo, é natural de Miranda do Corvo. Pouco se sabe sobre a vida de Carmen de Figueiredo (1914-2006), ainda que esta tenha tido alguma atenção mediática à época das suas publicações, chegando a ver censurada, pela PIDE, algumas das suas obras, que revelam o conflito entre classes e assumindo-se o programa ideológico que foi o mote do neo-realismo. Colégio de Rapazes " ... desta espécie de confissão, (...) na essência da história, uma história humana, onde o amor dos homens, desponta como clarão de alvoroçante beleza ...", foi uma das obras que maior atenção teve por parte da crítica literária de então, dentro da sua extensa produção literária, pela estruturas narrativas realistas, com descrições sexuais, o que, à época, serem escritas por uma mulher, seriam objecto de escândalos de todo o tipo.
Descrição:
Livraria Bertrand, Lisboa, 1936. In-8º de XXIV-302 págs. Encadernado inteira de pano estampado a flores, com rótulo dourado com dizeres na lombada. Ligeiro aparo generalizado, sem capas de brochura. Assinatura de posse no frontispício.
PRIMEIRA EDIÇÃO com uma dedicatória autógrafada no ante-rosto.
O Galante Século XVIII «é um testemunho animado acerca dos costumes, ambiente religioso e social do tempo». «Porque o século XVIII, frívolo, fradesco, galante espadachim, supersticioso, trabalhado já pela inquietação, decorre luminosamente das folhas do periódico (fascículos mensais para o Discours Pathétique), embora escritas a trouxe-mouxe, bifadas a este e àquele autor algumas vezes, tentámos a sua monda» (Aquilino Ribeiro).
Divide-se O Galante Século XVIII em cinco partes: 1) «Amor e Amores», e é como que um tratado da vida erótica redigido por um D. Juan que acaba em devoto da vida conjugal; 2) «Fidalgos e Fidalguias» e constitui um anedotário e uma virulenta crítica da mania aristocrática; 3) «Tradições, Crenças e Fanatismos», descrevendo a hipocrisia de certos costumes mascarados com a capa da religião; 4) «Belezas e Beldades» com graça amável e irónica, 5) «Médicos, Charlatães e Mezinheiros» denunciando a ignorância e a filáucia que neles descobre.
Descrição:
(Tipografia Atlântida), Coimbra, 1941. In-8º de 38-(2) págs. Brochado, cujas capas apresentam-se com ligeiras e insignifcantes manchas e com muito pequenos cortes marginais, próprios da dimensão desfasada da do miolo, este muito conservado e limpo.
MUITO RARO, em primeira e única edição, integrado na capital colecção da bibliografia que marca o início do movimento neo-realista português - o NOVO CANCIONEIRO - de que é o volume inaugura, ostentando uma datada e expressiva DEDICATÓRIA AUTÓGRAFA, pelo punho do autor.
Descrição:
Edição da Autora, Coimbra, 1967. In-8º de 57-(2) págs. Brochado. Ocasional foxing nas capas, sem qualquer expressão maior, extensível às primeiras páginas. De resto, excelente exemplar, muito bem conservado.
Edição marcada com numerador e rúbrica autoral a óleo.
De elevado interesse pelo assunto que desenvolve, relacionado com a localidade de Soure e sua relação com o Marquês de Pombal, o livro constitui um enormo contributo para a compreensão da biografia da figura estudada uma vez que "... para conhecermos bem a vida pública do Marquês de Pombal, temos necessidade absoluta de sabermos da sua vida particular, etc ..." (palavras da autora).
Descrição:
Pierre Jean Oswald, Paris, 1958. In-8º de 106-(4) págs. Brochado. Capas com insignificantes pico de humidade. Miolo impecável e ante-rosto com rúbrica de posse de poeta conimbricense da geração de 60.
Importante título publicado que marcou o nascimento moderno das literaturas africanas lusófonas, reunindo voz anticolonial e o movimento da negritude. Obra publicada na sequência, pouco tempo depois, em 1953, do angolano Mário de Andrade (1928-1990) em colaboração com Francisco Tenreiro, ter dado à estampa, em Lisboa, o caderno Poesia Negra de Expressão Portuguesa, uma antologia de textos de novos intelectuais africanos cujo próprio nome era uma provocação: a africanidade implicava a desestruturação da portugalidade, o que, numa época de ditadura, era no mínimo arriscado fazer, através duma busca de uma nova consciência africana.
Da maior importância literária e de difícil aparecimento no mercado.
Considerado um dos mais importantes ensaístas angolanos do século XX e tendo sido o primeiro africano de língua portuguesa a elaborar textos críticos e estético-doutrinários sobre a poesia africana lusófona, o Ministério da Cultura de Angola decidiu criar o Prémio de Ensaio Literário Mário Pinto de Andrade.
Descrição:
Escriptorio do Editor, Lisboa, 1858 (1859 e 1866). In-8º de 3 volumes com XI-260-(2), VII-273 & IX-277-(3) págs. respectivamente. Encadernação coeva, meia inglesa em pele côr castanha, lombada de 4 casas abertas, dourada com vinhetas, filetes e dizeres dourados. Aparo marginal generalizado e ocasionais restauros antigos.
PRIMEIRA (e únicas ?) EDIÇÃO da obra completa. Os volumes apresentam cada um deles distintos títulos (Primeiro Volume - FLORES E AMORES; Segundo Volume - RELIGIÃO E PATRIA & Terceiro Volume - IMPRESSÔES E RECORDAÇÕES) e com prefácios especialmente escritos para cada um deles, a partir de lugares distintos (Pedrouços, Campo Grande e Casa da Anta - Maiorca, Figueira da Foz). No final do segundo volume, umas Composições de Sr. F.G. d'Amorim que o auhor refere na advertencia e ainda acoplado um índice manuscrito em papel distinto.
Com uma carta manuscrita datada (10.II.1887) e autografada por João de Lemos (Seixas Castello Branco), junto à pasta do primeiro volume, em que o autor declara ser ressarcido de um montante de dinheiro respeitante à sua colaboração e direcção no periódico de causa absolutista A Nação.
João de Lemos Seixas Castelo Branco (1819 - 1890) nasceu em Peso da Régua e veio morrer na Figueira da Foz . Estudou Direito até 1846 na Universidade de Coimbra, onde fundou e dirigiu o famoso jornal poético O Trovador em que germinou a sensibilidade ultrarromântica portuguesa, e participaram, entre outros, nomes que viriam a caracterizar-se por grande celebridade, à época, como sejam Luís Augusto Palmeirim e José Freire de Serpa. A própria poesia do autor, integrado na Segunda Geração Romântica, comunga do sentimentalismo de raiz lamartiniana, da melancolia, do saudosismo — sobretudo no que à terra natal e à pátria se referia — e do convencionalismo formal — nomeadamente, aos níveis da métrica e da rima — que caracterizaram muita da literatura ultrarromântica. Lemos era presença comum nos serões românticos da Regeneração, nos quais brindava a burguesia presente com poesias elaboradas propositadamente para recitação e canto ao piano. Lemos colaborou ainda em Revista Universal Lisbonense (1841-1859), a Revista Académica de Coimbra (1845-1854), o Prisma (1842-1843), a Ilustração (1845-1846) e o Cristianismo (1843).
A poesia de Lemos é marcada por um lirismo caracterizado de um sentimentalismo exagerado, com evocações nostálgicas da terra natal e da pátria, e marcado por um certo convencionalismo. Foi um dos nomes maiores do Ultrarromantismo onde um forte desequilíbrio no domínio do pensamento, com um predomínio da emoção, da exaltação do espírito, da melancolia se manifesta profundamente levando ao tédio da vida e, consequentemente, ao desejo da morte, ao fatalismo. A natureza chega a ser muito triste e vai até ao tétrico, ao macabro, com fantasmas, sepulturas, ajustando-se ao estado de alma do poeta. Afirma-se o gosto pelo melodrama tão longe do equilíbrio do drama romântico.
Descrição:
Livraria Francesa. Lisboa. (1945). In-8º de 53-V págs. Brochado em excelente estado de conservação. Edição de delicado apuro gráfico, adornada de três belíssimos desenhos de Manuel Ribeiro de Pavia. Rúbrica de posse no ante-rosto.
Livro escrito durante a sua estadia em Coimbra (1943 e 1946) onde estabelece relações de amizade com alguns dos maiores vultos da literatura e do pensamento portugueses da época, como Miguel Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço.
Primeira edição do segundo livro enquanto Eugénio de Andrade, e o terceiro enquanto autor, JÁ RARO no mercado.