A mostrar um total de 10 obra(s)
Descrição:
Notabílissimo espólio epistolar, nunca posto no mercado, de uma das figuras de proa da cultura portuguesa de todos os tempos. A correspondência foi remetida a Fr. Francisco Freire de Carvalho (pseud. Filinto Junior), importante clérigo, homem de letras e autor da primeira história académica da literatura portuguesa, à época Superior do Colégio da Graça de Coimbra.
Para além de José Agostinho de Macedo e de Fr. Francisco Freire de Carvalho, este espólio passou pelas mãos de mais duas figuras maiores das letras nacionais: Theophilo Braga, que, como mencionado supra, as transcreveu — à excepção do ainda inédito "Ode" que ora se APRESENTA — e também das do grande poeta Eugénio de Castro, que lhas passou, por as ter herdado como sobrinho-bisneto que era de Fr. Francisco Freire.
Os receios de José Agostinho de Macedo (1761-1831) sobre a situação de trabalho de Freire de Carvalho revelar-se-iam infundados: o seu grande amigo, nascido em 1779, chegou a membro do Conselho de Sua Majestade, foi Cónego da Sé Patriarcal de Lisboa e Reitor do Lyceu Nacional, entre outros cargos importantes. Professor, historiador, tradutor, biógrafo, poeta e demais valências viriam a garantir-lhe lugar como sócio da Real Academia das Sciencias. Foi o autor de "Primeiro Ensaio sôbre a Historia Litteraria de Portugal desde a Sua mais Remota Origem até o Presente Tempo" (1845), a primeira história da literatura da nossa língua academicamente sustentada. No entanto, não por ter aceitado a sugestão de Macedo, mas pelas suas ideias liberais, zarpou mesmo para o Brasil em 1829, dado o regresso de D. Miguel. Por esta altura, já havia rejeitado o hábito. Voltaria em 1834 ao Reyno também por perseguição política, desta feita no Brasil. Foi um autor prolífico e um intelectual respeitado. Foi Mestre da Princesa Maria Amélia de Bragança, colhida na flor da idade pela tuberculose aos 21 anos, a 4 de Fevereiro de 1853. Certamente desgostoso — como atesta um doloroso poema que publicou — e já idoso para a epocha, Francisco Freire de Carvalho viria a falecer sensivelmente um ano depois.
Soberbo estado geral de conservação. PEÇAS DE COLECÇÃO E DE ELEVADO VALOR HISTÓRICO.
A saber:
Carta 1 – Lisboa 20 de Setembro de 1806. Bifólio. 30,5 cm x 21,3 cm. Entre muitos outros assuntos, Macedo pede correcções e opinião sobre as obras "Natureza" e "Creação", à qual o Tribunal [da Censura] havia sugerido alterações. Menciona a célebre gravura de Bartolozzi do «extincto vatalhão Bocage», a chegada do almirante John Jarvis «com seis formidaveis náos» ao Tejo capitaneando a HMS Hibernia e mais vinte e quatro embarcações de guerra na barra, dada a pressão dos franceses, «uma certa Potencia». Termina com um prosaico conselho para o Superior do Colégio da Graça de Coimbra: «foda quanto quizer e puder, mas faça versos.» e refere ainda a «Ode» (vide infra) que «está na gaveta». Trata-se da carta mais antiga publicada na obra de Theophilo Braga (1900).
Carta 2 — Lisboa 7 de Fevereiro de 1807. Bifólio. 22,3 cm x 17,1 cm. Relata, com a sua fina verbe, o assalto que sofreu a sua casa. Faz troça da última peça de Pato Moniz, seu inimigo figadal, representada no Theatro da Rua dos Condes e que mereceu pateadas. Conclui com um aforismo delicioso: «Venha para Lisboa, aqui vive-se, e fóra d’aqui dura-se.»
Carta 3 — Lisboa 7 de Março de 1807. Bifólio. 22,2 cm x 17,2 cm. Agradece uns queijos que Freire de Carvalho lhe enviou e convida-o à Penha de França. Refere a sua tradução de Horácio, em que Freire o havia ajudado, que se encontrava atrasada no prelo. Refere uma nova obra intitulada "Republica Literaria" e que, ou saiu sob outro título, ou nunca viu a prensa. Escreve brevemente sobre ideias teológicas e o «Cabeção Kant». Refere a entrada no Tejo de uma fragata inglesa com a «tripulação bebada, segundo o costume», acompanhada de 12 naus-da-linha que ficaram a guardar a barra. A grandiosa embarcação trouxe a nova da derrota de Napoleão a 25 milhas de Varsóvia a 26 de Dezembro de 1806, devendo relacionar-se esta notícia com a Batalha de Pułtusk que opôs os exércitos franceses aos russos. Hoje em dia a maioria dos historiadores considera-a não um derrota, mas uma vitória pírrica.
Poema 1 — Rocio de Lisboa 21 de Maio de 1808. Bifólio. 22,5 cm x 17,9 cm. Carta em hendecassílabos. Poema jocoso relacionado com a carta anterior, transcrito por Theophilo, mas censurado nas palavras obscenas, que inicia:
Bifam-se as cartas todas no correio;
Trez m’escreveste respondilhe logo:
Agradecendo orbiculares queijos
(…)
[INÉDITO] Poema 2 — Ode. s.d. [1808?]. Bifólio. 33,5 cm x 20,5 cm. Ode panegírica para o seu grande amigo, gabando-lhe todas as qualidades e referindo-se ao pseudónimo de Filinto [Junior] utilizado por Freire, que atingiu também ele fama à época. Deve tratar-se de uma produção encadeada com o poema anterior, uma vez que menciona o «audaz Britano» e o «galo ovante», certamente no contexto das Invasões Napoleónicas.
Carta 4 — Lisboa 30 de Maio de [1812] seis da tarde. Bifólio. 21 cm x 15 cm. Bifólio pré-filatélico com carimbo do Correio de Lisboa. Fica feliz por ter recebido logo duas cartas do seu amigo. De grande importância para a história da poesia portuguesa, esta curta missiva dá conta de que Macedo laborava em "O Gama", que, como é sabido, daria origem a "O Oriente". Refere ainda num novo poema intitulado "A Meditação" e diz que este substitui "A Natureza", por ser «maior e melhor».
Carta 5 — Lisboa 3 de Junho de 1812. Bifólio. 22 cm x 17,4 cm. Carta longa onde Macedo comunica a Freire que se encontra «em estado de guerra contra um exercito de Burros, que peja e entulha esta capital da parvoice.» Esta luta hercúlea deveu-se, aparentemente, às críticas que recebeu após a publicação de "Os Sebastianistas" (1810). «E hum dos primeiros mentecaptos q. me assestou uma cagalhoada de inepcias foi o [Pato] Moniz.», atestando o verdadeiro ódio que ambos autores retroalimentavam e que deu origem a algumas das mais acesas e deliciosas medições de forças da história da literatura em língua portuguesa. Refere ainda a publicação de "O Argonauta" e a má recepção que obteve "O Gama"; e de como lhe «quebravam os tomates» com o 5.º Canto d’ Os Lusíadas. Menciona as cartas que mandou imprimir em reacção a essas mesmas críticas. Menciona, outrossim, que corria no prelo a impressão de "A Meditação" e, num importante trecho, afirma que reescreveu "O Gama" e que o mesmo agora tem 12 Cantos, «com mais oitavas que o do Camões», tratando-se, pois, da primeira versão de "O Oriente". Este é um testemunho importante pelo próprio punho, porque confirma a obsessão de Macedo em atingir o nível do Vate; delírio com que os seus inimigos se divertiam muito e que ele mesmo chegou a reclamar. A propósito dos onagros mencionados supra, diz que se encontra a escrever um poema «regular» de quatro cantos e cinco mil versos intitulado «Os Burros». Trata-se do libelo que geraria grande polémica e lhe valeria o epíteto de «Padre Lagosta», aparentemente por se encontrar permanentemente ruborizado de raiva. Refere que vive na Calçada do Forno do Tijolo, n.º 45. Conclui convidando o amigo a ir ter com ele a Lisboa ou a ir para o Rio de Janeiro, pois teme pelo seu estado de emprego e pelos ares que se viviam nos conventos; e que, inevitavelmente, levariam à sua extinção cerca de vinte anos depois. Termina queixando-se do estado das letras nacionais, voltando a atacar Pato Moniz.
Carta 6 [fragmento] — Lisboa dia de S. Judas [Tadeu] de 1812 [28 de Outubro de 1812]. 1 fólio. 22 cm x 17,4 cm. 20,2 cm x 15,7 cm. Missiva muito curta que Theophilo considera fragmento, onde Macedo afirma: «Declaro guerra aos Papeloens da Terra.» Documento importantíssimo para a história da poesia de língua portuguesa, pois menciona ainda a publicação dos seus poemas "Meditação" e do celebrérrimo "O Oriente".
Carta 7 — Lisboa 3 de Julho de [1813]. Bifólio. 23 cm x 19 cm. Bifólio pré-filatélico com carimbo do Correio de Lisboa. Refere a saída do prelo de "Os Burros", com a qual fica muito descontente e diz preparar, por isso, a segunda edição. Menciona a possibilidade de imprimir, na Imprensa da Universidade, "O Oriente", uma das mais importantes obras da história da poesia em língua portuguesa, onde «julgo que consegui a possivel perfectabilidade, e que não cabe mais nas forças humanas.» Menciona o atraso na Impressão Regia dos poemas "Meditação" e "Newton". Declara que "... agora só se lêem as Gazetas e que os livreiros «estão às moscas». E onde é que já ouvimos todos nós isto?…". Fecha com um sábio conselho: «Cuide nas letras antes q. se acabem; adoçam a existencia, e depois de bem cultivadas, trazem a vantagem por fim de nos mostrarem que morremos perfeitamente asnos e ignorantes.»
Bibliografia auxiliar:
- Theophilo Braga - Obras Ineditas de José Agostinho de Macedo: Cartas e opusculos documentando as memorias para a sua vida intima e successos da historia litteraria e politica do seu tempo. Typographia da Academia Real das Sciencias. 1900
- Inocencio III, pp. 378-380.
Descrição:
Título completo: Copia / De hum S.Ctº tra- / ta da Vereação da Villa de Sero- / lico Bebado, que fez, ou mandou / fazer a con.co de Portugal, sobre / os Negocios da Guerra deste / anno de 1624'.
Caderno de 18 ff. inums (Dim. 15 x 21 cm. ) cosidas e linho de caligrafia cursiva muito legível, a uma só mão, pela frente e verso. Tem ao alto da primeira folha a assinatura de posse (séc. XIX ?) de Miguel Osorio, Lisboa. Aponta-se tanto o papel como o estilo de escrita, uma cópia efectuada no último quartel séc. XVIII. O manuscrito remata com uma declaração: "Ha o Original na Caza do Poço em Lamego, no qual está escrito nam com as divizoens, que ficão acima, mas na forma que costumão os Escrivaens da Camara".
Início deste curioso manuscrito de crítica aos acontecimentos da época:
"No Julgado de Serolico Bebado na primeira Quinta feira de Março deste anno de 1624, vindo fazendo Vereação Braz João Galego Juiz, e João Cabelludo Pedreiro, e Vicente Gomes Vereadores, e Gregorio Vaz Hortellão Procurador do Con.co, o dito Juiz propoz aos demais da maneira seguinte.
"Comp.es, parceiros, e amigos honrados: nosso amigo Braz Dias, como todos sabemos bem, está em Lisboa, sob as trampas, que lhe armarão os herdeiros de sua sogra ácerca do seu Prazo; lá vão grandes tralhadas de guerra, com que o mundo anda todo envolto; elle me mandou huma carta de muitas novas; e porq. toca a todos, oução, e cada hum dirá sobre ella segundo os miolos que tiver"; vem depois a carta, seguida do "Concelho" ao Rei, o "Voto de Vicente Gomes Vereador", outro "Concelho" ao Rei e o "Voto 3º de Gregorio Vas Procurador", vindo neste o seguinte aviso: "Mas para que fáz EI Rey festas, quando nós todos choramos?
Melhor fora para outras couzas, ou nam as fazer; porque se os fintados são Christãos novos / que isto quer dizer o nome de mercadores em Portugal / já está bem advirtido que nunca este dinheiro se emprega em couza, que luza, dizem os Praguentos, que he por ser mal ganhado, ou porque o dão com pragas."
Descrição:
In-8º de (5)-162 + 3 ff em branco. Encadernação artística, coeva inteira em calfe grenat, com roda em cercadura floreada e dourada em ambas as pastas. Corte das folhas cinzeladas e brunidas a ouro fino.
Lombada com ligeiros sinais de manuseamento, sem prejuizo algum da estrutura de suporte.
Frontispício "caligráfico" com dizeres manuscritos dispostos em moldura e verso com desenho de vaso de flores, também em moldura, ambas as páginas desenhadas com dupla molduras e intercaladas com belos motivos vegetalistas.
Manuscrito inteiro a punho único, muito legível e escrito a duas tintas variantes de sépia, estando a cor mais clara, por vezes, com dificuldades de leitura. Pelo tipo de caligrafia e representação numérica cremos tratar-se de um manuscrito do final de setecentos, inícios de oitocentos.
Descrição:
Três cartas, manuscritas pela frente e verso, datadas de 31 de Outubro, 9 e 16 de Novembro de 1819, assinadas no final pelo punho do autor, dirigidas a Ângelo Ferreira Diniz.
As cartas versam assuntos de ordem académica, solicitando, numa delas, o favor de interceder por seu irmão José Xavier de Aguiar que se candidata a um "partido", aqui subentendido como lugar de emprego, no Hospital da Universidade.
Descrição:
Folha de papel dimensões 27 x 21 cm, cor azul clara, dobrada em meio, manuscrita em três faces, de caligrafia muito legível, assinada no final. Ocasionas picos de acidez.
Descrição:
Elegante manuscrito de caligrafia muito legível, ao longo de vinte linhas sobre papel bifólio, assinado no final pelo punho do Rei e por Julio Gomes da Silva Sanches, dirigida ao Bispo de Coimbra, conservando o selo branco, em alto relevo, régio sobre papel recortado.
EXEMPLAR ÚNICO E PEÇA DE COLECÇÃO pela importância histórica que encerra aliado ao seu excelente estado de conservação.
Descrição:
Cartão (12,2 x 9,5 cm) manuscrito frente e verso, autografado, dirigido a Ivo Cortesão. Apresenta uma data de 31 de Janeiro de 1972. Conversa subscrito.
Descrição:
Cartão (12,2 x 9,5 cm) manuscrito frente e verso, autografado, dirigido a Ivo Cortesão. Apresenta uma data de 27 de Setembro de 1971. Conversa o sobrescrito.
Descrição:
Inteiro postal dos correios, manuscrito pela frente e verso, dirigido a Anibal Fernandes Thomaz ilustre bibliófilo, assinado no final pelo punho de Sousa Viterbo, datado de Lisboa 3 de Janeiro de 1900.
Descrição:
Carta manuscrita (13,5 x 19,5 cm) pela frente sobre papel timbrado com carimbo, datada de 2 de Janeiro de 1944 (avaliar pelo carimbo dos CTT) e dirigida a Antonio Saraiva de Carvalho, pedindo para interceder junto do escritor João Ameal. Conserva sobrescrito.